terça-feira, 4 de outubro de 2016

REVISTA MANDRÁGORA - Volume 22, no. 1

APRESENTAÇÃO

Um breve olhar para o contexto político no Brasil basta para nos darmos conta do quanto ele está impregnado de religião e imbricado com o gênero. Quer olhemos para a política no plano formal, do legislativo, do judiciário ou do executivo, quer no plano dos movimentos sociais, as religiões marcam presenta e se posicionam em relação às demandas de gênero e de direitos sexuais. É esse debate que ocupa a maior parte das páginas deste número da revista Mandrágora. Apresentamos cinco artigos que traduzem mais uma vez as preocupações de nossa revista diante das questões contemporâneas que envolvem gênero e religião. 
O primeiro texto, de Tatiane dos Santos Duarte, “Uma perspectiva epistemológica feminista sobre o movimento ecumênico brasileiro”, tem como meta entender, etnograficamente, as controvérsias em torno da justiça e da igualdade de gênero nos espaços ecumênicos, onde as interlocutoras disputam a primazia masculina. Essa reflexão, guiada por uma perspectiva epistemológica feminista, analisa como as desigualdades de gênero estruturam e organizam os espaços de atuação política do movimento ecumênico, e como podem ser rebeldemente subvertidas. 
Emerson Roberto da Costa, em seu artigo “Exorcizar o mal que assola a sociedade: a Frente Parlamentar Evangélica e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal”, tem como objetivo analisar, em perspectiva de gênero, a relação entre religião e política no cenário brasileiro e os contornos que a laicidade adquire a partir dessa conjuntura. Em seu texto, considera a atuação de parlamentares federais evangélicos/as na 54ª Legislatura, analisa questões relacionadas aos direitos de reprodução e à sexualidade e aos eventos oriundos da atuação desses/as deputados/as na Comissão de Direitos Humanos e Minorias – CDHM da Câmara Federal. Em “A mulher e a realidade latino-americana: uma análise da teoria da dependência a partir da perspectiva de gênero”, 
José Roberto Alves Loiola trata dos conceitos básicos sobre a teoria da dependência e a teoria de gênero, enquanto análise crítica do imperialismo na América Latina. Discute as ideias de Theotônio dos Santos, Vania Bambirra, Gunder Frank, Ruy Mauro Marini, entre outros, em associação com a noção de gênero de Marcella Althaus-Reid e Carole Pateman. 
Priscila Kikuchi Campanaro no artigo intitulado “Infância, relações de gênero e religião: um debate necessário”, parte de sua experiência de trabalho com o tema da Sociologia da Infância e relações de gênero em um curso de extensão e de reflexões sobre a exclusão da palavra “gênero” do texto do Plano Nacional de Educação (PNE) em 2014, devido à pressão de grupos religiosos presentes no Congresso Nacional, para evidenciar a importância de considerar a infância como um campo de análise importante para os estudos de gênero. 
No último artigo, “Entre madeixas, véus e saias: paradigmas do feminino na Congregação Cristã do Brasil”, Micaele Oliveira Eugênio Costa procura elucidar aspectos que regem a dinâmica da Congregação Cristã do Brasil (CCB). Para tanto, faz um panorama histórico com o objetivo de resgatar as figuras precursoras da CCB. Em um segundo momento, o texto oferece um exercício de interpretação dos princípios, doutrina e relações de gênero intra-comunidade de fé. Ao longo das reflexões, são incorporadas à discussão, como chaves de leitura, as narrativas de algumas cecebianas, para análise da condição feminina nesta instituição religiosa. 
E, por fim, temos a resenha do segundo volume de “Estudos feministas e religião: tendências e debates”, escrita por Fernanda Marina Feitosa Coelho

Desejamos a todas uma boa leitura!


Link para acessar o vol. 22 no. 1 da Mandrágora: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/MA

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